quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Manifestantes declaram guerra virtual ao governo Ahmadinejad

Me preparando para a guerra nas ruas se ELE der luz verde...” Assim começa a última mensagem que a jovem iraniana Tara Mahtafar, de Teerã, colocou em seu twitter no momento em que esta reportagem começou a ser escrita, aos 21 minutos da quarta-feira, 21 de outubro. O verde a que ela se refere é a cor que invadiu o Irã desde que ELE, Mir Hossein Mousavi, resolveu desafiar os resultados oficiais das eleições para a Presidência do Irã.
O verde foi a cor escolhida por Mousavi, de 68 anos, pintor abstrato e arquiteto de obras relevantes, para dar a sua campanha o símbolo da esperança. Num artigo escrito para um dos melhores sites árabes em inglês, o Al Jazeera, Tara notou o traço “obamesco” da cruzada de Mousavi. “Um slogan é ‘dolat-e omid’, ou o governo da esperança”, escreveu ela.
Desencadeados por denúncias de fraude na eleição presidencial do último dia 12 de junho, os protestos na República Islâmica do Irã já ultrapassaram as ruas e seguem com uma intensidade surpreendente na internet, por meio de redes sociais como o Facebook e o Twitter e sites como o YouTube. Isso mostra que, ao contrário da ostilidade das democracias, principalmente as ocidentais, as novas ferramentas da internet estão incomodando os regimes totalitários.
A rebelião, tanto real quanto virtual, tem sido literalmente esmagada pelas autoridades do atual governo e por seus simpatizantes. As marchas com centenas de milhares de pessoas, durante toda a semana, foram seguidas de forte repressão promovida pela polícia ou por integrantes de uma milícia islâmica, a Basij, uma numerosa força paramilitar formada por voluntários à paisana.
Em uma semana, centenas de políticos oposicionistas e manifestantes foram presos, jornais foram censurados, comícios foram proibidos e universidades foram fechadas. O cerco à informação começou com o bloqueio de sites e terminou com a não renovação da autorização de permanência dos jornalistas estrangeiros, o que praticamente fechou o país aos observadores.
Mas a repressão não desanimou as massas insatisfeitas com o atual regime dos aiatolás. As marchas diminuíram, mas, ao que tudo indica, manifestantes e políticos oposicionistas estão longe de desistir da luta por eleições democráticas. E se os protestos não continuarem nas ruas, provavelmente continuarão no ciberespaço.
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