segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Que Venha o 14º!


Dionathan Matos

E o 13º deste ano saiu, que maravilha! Bom, pelo menos a primeira parcela dele saiu. Demorou, mas a grana ta lá.

Tenho certeza que você, meu caro operário siderúrgico, só esperava este momento pra comprar aquela TV de plasma de 52 polegadas né? Ah garoto, vai assistir aos jogos finais do Brasileirão naquela telona hein? Bão demais sô!

E você minha amiga dona de casa, depois de muitos meses finalmente vai poder comprar aquela mesa linda pra sua sala. Aquela de seis cadeiras, trabalhada em sucupira e com tampo de vidro. Que chique. Minha mãe comprou uma dessas recentemente. De quantas vezes? Vai pagar em... bom, vamos continuar falando de coisa boa.

E aquele camarada que começou a trabalhar numa loja de eletrodomésticos em outubro do ano passado? Era emprego temporário, desses que abrem aos montes no final do ano. Ele praticamente não aproveitou nada do 13º porque só veio uma miserinha. Mas ele é brasileiro e não desiste nunca. Mostrou serviço e foi contratado. E agora? Bem, agora o 13º vem completo. Aproveita meu camarada, pois você merece.

E então gente, vamos às compras? Ei,ei peraí, calma! Primeiro vamos às dívidas. É, isso mesmo, às dívidas. Primeiro vocês precisam pagar as dívidas anteriores para depois pensar em compras.

A primeira coisa a fazer é eliminar ou reduzir suas dívidas anteriores. Se você for inteligente, vai usar o décimo terceiro para pagar o que está atrasado e só aí pensar em compras. Não sou eu que digo isso, é o professor da Fundação Getúlio Vargas Luis Carlos Ewald, especialista em orçamento doméstico.

Segundo ele, o dinheiro para as compras é o último em uma lista de prioridades que inclui não apenas as dívidas passadas, mas também os gastos de janeiro e fevereiro.
Ainda de acordo com Ewald, “o início do ano concentra muitos gastos, como o IPTU, o IPVA, as matrículas de escola e também as férias das crianças. Só para se ter uma ideia, os meses de março e abril têm historicamente o maior nível de inadimplência. As farras de Natal comprometem esses dois meses”, diz.

Entenderam?

Olha amigão, eu sei que você ralou o dia inteiro na mineradora e está cansado, mas tenho que lembrá-lo da prestação do apê que está atrasada. Pelo visto aquela TV de plasma de 52 duas polegadas vai ficar pra depois. Tudo bem. Afinal, aquela sua TV de 14 ainda tá boa. A propósito, não esquece de me convidar pra ver o último jogo do Cruzeiro falou? Rumo à Libertadores! Assim espero.

Ô minha amiga, essa mesa de sucupira é realmente maravilhosa, mas agora não dá. Você ainda nem terminou de pagar a máquina de lavar. E olha que a danada já tá com defeito hein? Mas tudo bem, nada como jantar no sofazinho da sala curtindo um futebolzinho. Depois da novela, é claro.

E quem também dançou legal nessa história foi o nosso vendedor. Lembra? aquele que foi contratado no final de 2008. Além de também estar endividado e precisar do 13º pra sair da forca, acaba de perder dois clientes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Virtual / Presencial


Psicóloga afirma que, mesmo entre aqueles que só mediam suas relações
pela internet, há sempre a necessidade de encontros reais


Dionathan Matos

É difícil encontrar entre os jovens de hoje indivíduos que não se interessem pelas novas ferramentas da comunicação digital. Difícil, não impossível. A internet criou uma noção diferente de comunidade e novas formas de expressão que, cada vez mais, são assimiladas pelos jovens. Uma dessas formas são as redes sociais: espaços virtuais criados para que pessoas que possuem interesses, valores e/ou objetivos comuns se comuniquem e compartilhem idéias.

Mas as redes não são uma unanimidade entre os jovens. A estudante de jornalismo Carla Moreira afirma que não usa a internet com frequência fora de seu ambiente de trabalho. “Se eu ficar 20 minutos na internet quando estou de folga é muito”. Ela não namora atualmente e não cogita, de forma alguma, a hipótese de procurar um companheiro pela internet.

Claudia Amaral, formada em Publicidade e Propaganda, é do tipo que ainda manda cartas e não curte redes sociais. “Eu gosto muito de preservar minha intimidade. Não gosto de expor minha vida e meus momentos”. Ela tem irmãos, primos e até tios que fazem parte de redes, mas acha que as relações virtuais são superficiais e fúteis. Cláudia não dispensa a tradicional cartinha. Muitos podem considerá-la ultrapassada, mas o representante comercial Sílvio Araújo certamente não pensa assim. Ele se diz um “romântico à moda antiga”, manda cartas e flores para sua namorada e usa a internet apenas para ver seus e-mails, fazer trabalhos de faculdade e navegar por sites de notícias. Redes sociais? Nem pensar.

Mesmo entre aqueles que são fãs de carteirinha das redes, ainda pode-se encontrar algum vestígio de conservadorismo. A estudante do ensino médio Júlia Gailac usa a internet todos os dias e tem perfis em quase todos os sites de relacionamento que existem. Ela afirma que escreve depoimentos no orkut quase o tempo todo e conversa com vários amigos em outros países. No entanto, Júlia considera o relacionamento pela internet como “uma coisa muito fria, sem o sentimento de uma relação ao vivo”. A estudante tem uma amiga que conheceu o marido pela internet, mas não se imagina nessa situação.

Alienação

Segundo a psicóloga Sylvia Flores, mesmo os indivíduos que gostam muito da internet e que mediam suas relações por meio dela, cedo ou tarde terão necessidade de um encontro real. “Precisamos do virtual / presencial”. Ainda de acordo com ela, pessoas que só conseguem se relacionar pela rede sofrem de um desequilíbrio. “Esse tipo de pessoa se afasta da realidade e fica sem saber como lidar com os outros, perde o traquejo social”. Sylvia classifica isso como um embotamento afetivo do comportamento, como alguém que pára de estudar e sofre um embotamento intelectual. Ela considera ideal que o indivíduo saiba transitar nos dois mundos, ou seja, lidar com as novas tecnologias sem se desligar da realidade.