quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Virtual / Presencial


Psicóloga afirma que, mesmo entre aqueles que só mediam suas relações
pela internet, há sempre a necessidade de encontros reais


Dionathan Matos

É difícil encontrar entre os jovens de hoje indivíduos que não se interessem pelas novas ferramentas da comunicação digital. Difícil, não impossível. A internet criou uma noção diferente de comunidade e novas formas de expressão que, cada vez mais, são assimiladas pelos jovens. Uma dessas formas são as redes sociais: espaços virtuais criados para que pessoas que possuem interesses, valores e/ou objetivos comuns se comuniquem e compartilhem idéias.

Mas as redes não são uma unanimidade entre os jovens. A estudante de jornalismo Carla Moreira afirma que não usa a internet com frequência fora de seu ambiente de trabalho. “Se eu ficar 20 minutos na internet quando estou de folga é muito”. Ela não namora atualmente e não cogita, de forma alguma, a hipótese de procurar um companheiro pela internet.

Claudia Amaral, formada em Publicidade e Propaganda, é do tipo que ainda manda cartas e não curte redes sociais. “Eu gosto muito de preservar minha intimidade. Não gosto de expor minha vida e meus momentos”. Ela tem irmãos, primos e até tios que fazem parte de redes, mas acha que as relações virtuais são superficiais e fúteis. Cláudia não dispensa a tradicional cartinha. Muitos podem considerá-la ultrapassada, mas o representante comercial Sílvio Araújo certamente não pensa assim. Ele se diz um “romântico à moda antiga”, manda cartas e flores para sua namorada e usa a internet apenas para ver seus e-mails, fazer trabalhos de faculdade e navegar por sites de notícias. Redes sociais? Nem pensar.

Mesmo entre aqueles que são fãs de carteirinha das redes, ainda pode-se encontrar algum vestígio de conservadorismo. A estudante do ensino médio Júlia Gailac usa a internet todos os dias e tem perfis em quase todos os sites de relacionamento que existem. Ela afirma que escreve depoimentos no orkut quase o tempo todo e conversa com vários amigos em outros países. No entanto, Júlia considera o relacionamento pela internet como “uma coisa muito fria, sem o sentimento de uma relação ao vivo”. A estudante tem uma amiga que conheceu o marido pela internet, mas não se imagina nessa situação.

Alienação

Segundo a psicóloga Sylvia Flores, mesmo os indivíduos que gostam muito da internet e que mediam suas relações por meio dela, cedo ou tarde terão necessidade de um encontro real. “Precisamos do virtual / presencial”. Ainda de acordo com ela, pessoas que só conseguem se relacionar pela rede sofrem de um desequilíbrio. “Esse tipo de pessoa se afasta da realidade e fica sem saber como lidar com os outros, perde o traquejo social”. Sylvia classifica isso como um embotamento afetivo do comportamento, como alguém que pára de estudar e sofre um embotamento intelectual. Ela considera ideal que o indivíduo saiba transitar nos dois mundos, ou seja, lidar com as novas tecnologias sem se desligar da realidade.

Um comentário:

  1. Concordo com tudo que a psicóloga disse.
    Parabéns pela matéria.

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